Repertório


Pelo repertório: Redescobrir


01/02/2013 | Notícias, Repertório

A música que dá nome à turnê de Maria Rita, “Redescobrir”, foi escrita pelo cantor e compositor, Luiz Gonzaga Jr, o Gonzaguinha. A canção gravada por Elis Regina está no álbum “Saudade do Brasil”, de 1980. No mesmo disco, a cantora também interpretou “Mundo Nova, Vida Nova”, também do compositor. Gonzaguinha escreveu “Redescobrir” enquanto assistia aos ensaios de “Saudade do Brasil”.

Na última apresentação da temporada da turnê do disco, em outubro de 1980, Elis emocionou o público ao cantar “Redescobrir”. Antes de começar a cantá-la, não agüentou : chorou e disse: “É a minha última”. Aplauso geral. O maior respeito. Como se fora brincadeira de roda. Memória. A voz do rapaz saiu trêmula ao murmurar cantando ‘memória’”, contou Lu de Laurentiz no livro “Viva Elis”, de Allen Guimarães.

“Redescobrir” também foi tema da abertura da 2ª versão da novela “Ciranda de Pedra” da Rede Globo.


Redescobrir
Gonzaguinha
Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia
Como um animal que sabe da floresta, perigosa
Redescobrir o sal que está na própria pele, macia
Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias
Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia
Vai o bicho homem fruto da semente, memória
Renascer da própria força, própria luz e fé, memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história
Somos a semente, ato, mente e voz, magia
Não tenha medo, meu menino bobo, memória
Tudo principia na própria pessoa, beleza
Vai como a criança que não teme o tempo, mistério
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor, magia

COMPRE REDESCOBRIR NO ITUNES AQUI

Pelo repertório: Zazueira


27/12/2012 | Notícias, Repertório

A música “Zazueira”, de Jorge Ben Jor, foi gravada por Elis Regina em terras inglesas e faz parte do disco “Elis Regina em Londres”, de 1969. No álbum, Elis canta canções em inglês como “A Time for Love”, “Watch What Happens” e “How Insensitive”.
Elis gravou outras duas músicas de Jorge Bem Jor, “Bicho do Mato” e “Se Segura Malandro”. Além de Elis, outros artistas já gravaram “Zazueira” como Wilson Simonal e Golden Boys.

Jorge Bem Jor cantando Zazueira em homenagem a Elis:

Zazueira

Ela vem chegando
E feliz vou esperando
A espera é difícil
Mas eu espero, sambando.
Menina bonita com céu azul
Ela é uma beleza
Menina bonita, você é demais
Alegria da minha tristeza
Zazueira, zazueira
Zazueira, zazueira
Ela vem chegando
E feliz vou esperando
A espera é difícil
Mas eu espero, sambando
Uma flor é uma rosa
Uma rosa é uma flor
É o amor essa menina
Essa menina é o meu amor
Zazueira, zazueira
Zazueira, zazueira

 

COMPRE REDESCOBRIR NO ITUNES AQUI

Pelo repertório: Romaria


20/12/2012 | Notícias, Repertório

Uma das músicas de grande sucesso de Elis Regina, “Romaria”, foi escrita pelo cantor e compositor Renato Teixeira e gravada pela cantora em 1977, no disco “Elis”. Renato conta que se inspirou na basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo, para compor a canção. “Eu fui criado em Taubaté e eu ia muito para lá que é pertinho. Engraçado que tinha uma coisa lá que mexia comigo que era ver aquelas pessoas cheias de fé. Um dia, eu estava sentado em casa e resolvi falar sobre os romeiros que vão lá. É também um pouco a história do povo brasileiro que com seus sonhos, as suas decepções, sempre reza e às vezes ele percebe que não sabe rezar, mas assim mesmo a determinação é tanta, o sufoco é tanto, o milagre é tão necessário que só olhando ele já se sente rezando”, explicou.

O cantor lembra também do dia em que Elis o telefonou pedindo para gravar uma música sua. “Ela me ligou a tarde e falou: ‘Renato vai ao estúdio a noite que eu vou gravar uma musica sua’. Eu quase caí da cadeira. Eu perguntei qual era a música, ela não me contou. Fui, ela estava gravando “Sentimental Eu fico”, no dia seguinte, ela ligou de novo, e disse que ia gravar outra, também não falou, e era Romaria. Eu nunca imaginei que fosse fazer esse sucesso todo mas fez. É uma música que tem a intenção de lançar um olhar renovado sobre a musica da cultura caipira e ela sacou isso”, disse Renato.

Romaria

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
De jibeira o jiló
Dessa vida
Cumprida a sol
Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos
Perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, joguei
Investi, desisti
Se há sorte
Eu não sei, nunca vi
Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda

O trem da minha vida (2x)
Me disseram, porém
Que eu viesse aqui
Prá pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar
Meu olhar
Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida (2x)

COMPRE REDESCOBRIR NO ITUNES AQUI

Pelo repertório: Tatuagem


06/12/2012 | Notícias, Repertório

“Tatuagem” foi escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra para a peça “Calabar, o Elogio da Traição”, em 1973, mas o espetáculo só estreou no início da década de 80 por causa da censura da ditadura militar.

Elis Regina gravou a canção em 1976 para o álbum “Falso Brilhante”. A parceria entre os dois era de longa data, outras músicas de Chico estão na voz de Elis como “Tem mais Samba” (1966), “Atrás da Porta” (1972), “Pois é” (1974) e “Retrato em Preto e Branco” (1974).
Chico Buarque conta que gosta de cantar músicas no feminino. “Parece que a gente é outra pessoa. Se expõe diferente”, explica. A música “Tatuagem” foi escrita na visão de uma mulher muito apaixonada. Por causa dessa paixão, ela quer se fixar no corpo do amado “feito tatuagem”, se perpetuando sua escrava.

Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra)
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousa frouxa, farta murcha,
Morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

COMPRE REDESCOBRIR NO ITUNES AQUI

Pelo repertório: Vida de Bailarina


21/11/2012 | Notícias, Repertório

“Eu fiz uma homenagem à Ângela Maria cantando uma das músicas que mais gostava de ouvir quando eu era só ouvinte, a música se chama Vida de Bailarina”, disse Elis Regina, que regravou a canção em 1972 lançada originalmente por Ângela em 1954 e interpretada no filme “Rua sem Sol” no mesmo ano. A música “Vida de Bailarina”, que fez grande sucesso na época, foi escrita pelo ator e compositor Dorival Silva, o Chocolate, e por outro compositor, o Américo Seixas. A inspiração para a canção veio das bailarinas dos Taxi-Dancing, que existiam pelo país na década de 50 e 60. Elas viviam da dança e cada uma tinha uma história de vida, como diz a canção.

A admiração por Ângela Maria era tão grande, que a ainda jovem Elis escolheu “Lábios de Mel” (Waldir Rocha), um velho sucesso de Ângela Maria como a primeira canção que apresentou nos concursos de calouros da Rádio Farroupilha, em Porto Alegre, sua cidade natal, na década de 50.

“Eu considero a maior voz do Brasil. Ângela foi o meu modelo. Comecei fazendo tudo exatamente igual ao que ela fazia. E não foi só isso, foi a Ângela que me mostrou que esse negócio de cantar até que dava um certo pé, e o mais importante, ela me mostrou que eu gostava de fazer isso”, disse Elis.

“Vida de Bailarina”, que está no álbum Elis (1972), foi regravada também por Zizi Possi (2005) e Agnaldo Timóteo (1976).

 

Pelo Repertório: Morro Velho


25/09/2012 | Notícias, Repertório

O ano era 1967. O cenário: os bastidores do programa “O Fino da Bossa”. Milton tinha ido assistir à gravação e Elis – estavam ficando bem amigos na época – lhe abraçou e disse: “Você classificou três músicas para o festival do Rio”. Surpresa.  Afinal, ele não tinha inscrito nenhuma. O que Milton não sabia é que Agostinho dos Santos tinha inscrito por ele. E logo três. Uma delas, “Morro Velho”.

A música tirou o sétimo lugar do  II Festival Internacional da Canção (FIC) e ele foi escolhido como o Melhor Intérprete. “A partir desse festival, minha vida mudou completamente. Gravei meu primeiro disco no Brasil, e logo depois fui para os Estados Unidos gravar outro”, contou ele em depoimento à revista Lola. “Ao longo disso tudo, Elis e eu estávamos cada vez mais próximos. E, enquanto ela estava aqui com a gente, eu pude estar ao seu lado em praticamente todos os discos que gravou, assim como ela estava presente nos meus”.

E claro que “Morro Velho” tinha que fazer parte da história. Foi gravada em 1977 no álbum “Elis”. Na música, Milton fala da amizade dois meninos, um branco e um negro, que vivem no campo, faz uma análise instintivamente das desigualdades sociais e do preconceito racial.

 

 

Morro Velho
(Milton Nascimento)

No sertão da minha terra
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
Fez a obrigação com força
Parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro
E ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada de viola em vez de enxada

Filho de branco e do preto
Correndo pela estrada atrás de passarinho
Pela plantação adentro
Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos
Peixe bom dá no riacho
De água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada conta histórias pra moçada

Filho do sinhô vai embora
Tempo de estudo na cidade grande
Parte, tem olhos tristes
Deixando o companheiro na estação distante
“Não me esqueça amigo, eu vou voltar”
Some longe o trenzinho ao deus-dará

Quando volta já é outro
Trouxe até sinhá-mocinha para apresentar
Linda como a luz da lua
Que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor
E agora na fazenda é quem vai mandar
E seu velho camarada já não brinca, mas trabalha

Pelo Repertório: Se eu quiser falar com Deus


21/09/2012 | Notícias, Repertório

“A interpretação dela era maravilhosa”. Assim Gilberto Gil, autor da música, definiu a versão de Elis para sua música, “Se eu quiser falar com Deus”. A cantora gravou a canção para o disco “Elis”, de 1980.

Gil compôs a música em uma tarde ensolarada da Bahia. Ela tinha sido feita para Roberto Carlos, que desistiu de gravá-la.  “Eu tinha feito pra ele. Se ele tivesse gravado, eu não sei se teria gravado tão de imediato. Em geral, não tenho o hábito de gravar as músicas que faço para outros”, disse ele . Assim, Gil decidiu registrá-la em “Luar” – disco que seria lançado em 1981. Mas Elis conheceu a música e resolveu gravá-la também. Assim, no final de 1980, dois compactos da canção foram lançados:  um de Gil e outro de Elis.

Se uma mesma música pode ter duas – e não apenas uma! – versões definitivas, esta é uma delas.

O cantor não escondia a sua paixão pela Elis. “Eu era apaixonado por ela. Conseguia me distanciar um pouco da paixão e vê-la como uma grande artista. Era uma extraordinária intérprete. No meu caso, ela teve um papel extraordinário. Era muito instigante e exigente, tava sempre dizendo ‘Cadê as musicas novas?’. Era uma mulher maravilhosa”, admite Gil.  Elis interpretou outras músicas de Gilberto Gil, como “Rebento”, “Amor até o Fim”, “Oriente”, “Doente, Morena”, “Meio de Campo”, “Fechado pra Balanço”, “Roda”, entre outras.

Compre o disco “Elis” (1980) no Itunes!

 

 

Se Eu Quiser Falar Com Deus
(Gilberto Gil)

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Pelo repertório: Onze Fitas


19/09/2012 | Notícias, Repertório

A cantora e compositora Fátima Guedes tinha apenas 20 anos quando conheceu Elis. “Conheci pouco, mas o suficiente pra compreender que ela era uma personalidade diferenciada, fortíssima, uma mulher batalhadora, inovadora, ousada”, contou Fátima em entrevista ao Sesc. Fátima dava seus primeiros passos na carreira musical e tinha gravado uma fita cassete para apresentar para uma gravadora.  Seu produtor Paulinho Albuquerque era amigo e advogado de Elis e acabou levando a fita para ela. “Elis gostou muito, quis me conhecer. Começou a cantar ‘Meninas da Cidade’ no show ‘Transversal do tempo’ (1978). Aí ela mandou uma passagem pra mim, fui conhecê-la e ouvir a música cantada por ela, fiquei muito emocionada”, relembra.

Depois de cantar ‘Meninas da Cidade’, Elis convidou Fátima para participar do especial da Bandeirantes que gravaria no final de 78.  E no ano seguinte, incluiu mais uma música da compositora em seu show.“Onze Fitas” era uma das inéditas que ela cantava em “Essa Mulher”. Em um dos registros do show, Elis introduz a canção dizendo que era “a coisa mais importante que tinha tido a  oportunidade de encontrar nos últimos tempos”. A música fala de um cotidiano de violência e tinha sido escrita por Fátima para a peça “O Dia da Caça”, de José Louzeiro. Foi gravada no álbum seguinte, “Saudade do Brasil” (1980).

 

 

Onze Fitas
(Fátima Guedes)

Por engano, vingança ou cortesia
Tava lá morto e posto, um desregrado
Onze tiros fizeram a avaria
E o morto já tava conformado
Onze tiros e não sei porque tantos
Esses tempos não tão pra ninharia
Não fosse a vez daquele um outro ia
Deus o livre morrer assassinado
Pro seu santo não era um qualquer um
Três dias num terreno abandonado
Ostentando onze fitas de Ogum
Quantas vezes se leu só nesta semana
Essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima…

1 2 3 4